Paparazzi

Palavra de origem italiana comumente atribuída a repórteres que vivem de seguir e fotografar celebridades sem autorização, para depois vender as imagens à imprensa. Isto até a explosão da internet como grande mecanismo de comunicação da contemporaneidade e do advento das redes sociais virtuais como um dos maiores fenômenos da rede mundial de computadores.

Hoje não é preciso que você tenha um perfil no Orkut ou Facebook para estar presente nestas redes. Ainda que você não seja uma pessoa famosa e badalada, pode ter facilmente sua imagem publicada por outras pessoas de forma que qualquer internauta possa vê-la ou baixá-la, seja de uma simples balada ou de momentos de intimidade, que deveriam ser reservados, por uma diversidade de motivos, aos registros possíveis da memória.

O famigerado “vacilou caiu na net”, já abordado neste blog, não está mais restrito a fotos e vídeos dentro do contexto do sexo e sensualidade, pois em quase todas as festas há uma série de pessoas fotografando, algumas para seu registro pessoal e outras trabalhando para sites que fazem a “cobertura” das baladas das cidades. Bêbados ocasionais ou de carreira, puladores de cerca e adolescentes de castigo, dentre outros personagens sociais, que o digam.

Quem nunca foi surpreendido ao ver fotos desconhecidas (por falhas na memória ou não) publicadas por outras pessoas no Orkut ou Facebook?

Estamos vivendo em um mundo onde os paparazzi saíram de trás das moitas e invadiram as ruas das cidades, escondendo-se somente atrás de suas câmeras e revelando um traço comportamental da sociedade. As pessoas querem ver e serem vistas compulsivamente, ao mesmo tempo em que, irônica e veementemente, condenam a usurpação de suas privacidades, por parte dos paparazzi contemporâneos, do avanço tecnológico dos sistemas de segurança e dos satélites que, assim como a espada justiceira, promovem a visão além do alcance.

As pessoas querem ver sem limites, mas só querem ser vistas pelo melhor ângulo, por isso tiram fotos sempre com o “melhor perfil”, sorrindo e fazendo sinais de positividade. Todos querem ser vistos como pessoas descoladas, super transadas, modernas e felizes, mas na internet, assim como na vida, não há filtros e cedo ou tarde as verdades aparecem.

Vivemos num eterno Big Brother.

Só que não ficamos famosos, não ganhamos emprego na Globo e ainda pagamos por isso.

Nascido em Maceió-AL, Brasil | 33 anos Arquiteto/Urbanista | mestre em planejamento para o desenvolvimento local | especialista em mobilidade urbana | Time do coração: CRB-AL

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