Prisões ou narcossalas?

Enquanto milhares de famílias brasileiras sofrem com o fenômeno do aumento substancial do consumo do crack, que possui características epidemiológicas, o poder público permanece inerte, acorrentado a um pernicioso emaranhado de burocracia e moralismo. As poucas atitudes tomadas até o momento ou vão na contramão de experiências que lograram êxito, ou são insuportavelmente tímidas.

A política ainda é de punir os usuários encarcerando-os em prisões ou em centros despreparados para tratá-los, quando não em hospitais psiquiátricos que não existem para cumprir a função de tratar dependentes químicos.

As narcossalas (espaços destinados ao consumo de drogas e de apoio ao usuário) ao contrário do que muita gente pensa, não é um espaço para incentivar os usuários de drogas a seguirem com o vício, mas sim para reconhecer que a pretensão de se imaginar uma sociedade sem consumo de drogas é ilusória e que se deve encarar o problema com maturidade e respeito aos dependentes e às suas famílias.

No Insite, por exemplo, o governo canadense oferece todo o material necessário para o consumo de heroína, como seringas e agulhas descartáveis e disponibilizam enfermeiras para acompanhar os frequentadores, mas não só isso. Lá também estão presentes psicólogos e assistentes sociais que conversam e oferecem suporte àqueles que anseiam por deixar o vício. Há muito mais salas para o tratamento destas pessoas do que para o consumo de heroína. Com este projeto conseguiu-se reduzir significativamente o número de infecções de doenças por compartilhamento de seringas, mortes por overdose e ainda aumentou-se o número de pessoas deixando as drogas.

Não é preciso reinventar a roda para resolver o problema. Basta reconhecer que ele existe e aprender com experiências que já deram certo.

O tema é de interesse público. Quem quiser se aprofundar mais eu recomendo a matéria da Carta Capital de 3 de julho e um documentário sobre o Insite, no Canadá.

obs.

Não quero dizer que as narcossalas são a solução para o problema das drogas, mas sim que ela é uma ferramenta que pode, comprovadamente, ajudar. Ou seja, há formas mais inteligentes para lidar com o problema do que encarcerar os dependentes químicos tratando-os como criminosos ou portadores de problemas psiquiátricos.

Nascido em Maceió-AL, Brasil | 33 anos Arquiteto/Urbanista | mestre em planejamento para o desenvolvimento local | especialista em mobilidade urbana | Time do coração: CRB-AL

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