Heróis olímpicos

Aos heróis geralmente são atribuídas características sobre-humanas: força extraordinária, agilidade incomparável, inteligência admirável…

Os atletas brasileiros que estão competiram em Londres, não possuem estas características, não são personagens de histórias em quadrinhos. Eles são meramente humanos, mas com a pífia política de investimentos nos esportes do país tupiniquim, com a falta de infraestrutura para treinamento e patrocínios, estes bravos compatriotas contestam a sua condição meramente humana.

Personagens de uma história real, onde homens e mulheres conseguem ir além daquilo que normalmente poderiam.

Isto deveria, por si só, os fazerem vencedores (e efetivamente os fazem), exorcizaria o “quase” do vocabulário nacional em época de olimpíadas e, por tabela, o fantasma da ausência do hino brasileiro no hasteamento de bandeiras nos pódios.

A máxima de “o importante é competir”, tem as suas restrições, pois quem quer que seja,  em uma competição almeja os melhores resultados, acertar o que não acertou em anos de treinos, fazer os tempos que nunca fez, ou somente fazer aquilo que têm conseguido nos treinos, mas enfim, vencer!

O sabor da vitória é desejado desde o favorito ao mais desconhecido dos coadjuvantes…

E isto fica perceptível nas expressões de decepção e tristeza nos olhos de brasileiros que conhecem o seu potencial, mas pouco podem fazer, de fato.

Homens e mulheres com altíssimo potencial, tanto que alguns ainda conseguem ser os melhores do mundo, mesmo com todas adversidades, diante da inércia de governantes e empresários, pouco comprometidos com a importância do esporte para o desenvolvimento social e, também, econômico.

Depois dos jogos, é a única vez , de 4 em 4 anos, que a presidência da república chama os “heróis olímpicos” ao centro do poder nacional, mais por propagandismo que por um autêntico reconhecimento de seus esforços. A cúpula nacional vibra hipocritamente com vitórias individuais, como se fossem vitórias de toda uma nação.

Enquanto isso, os “vilões olímpicos”, ou seja, aqueles que não conseguiram vencer nas olimpíadas são tratados como de costume, marginalizados, longe dos holofotes, sem qualquer direito ao minuto de atenção dado pela imprensa e governo àqueles que conseguiram conquistar uma medalha.

Em vez de um minuto de fama e uns tapinhas nas costas, o maio prêmio que poderia ser dado a cada um dos brasileiros e brasileiras que são atletas olímpicos, seria a criação de oportunidades para que eles pudessem melhorar os seus desempenhos e para que novos atletas pudessem surgir e ter a oportunidade de se desenvolverem, enquanto atletas e enquanto seres humanos.

Negar às pessoas a oportunidade de desenvolverem os seus potenciais é, sem dúvida, o maior crime que a humanidade comete, todos os dias, contra si mesma.

Nascido em Maceió-AL, Brasil | 33 anos Arquiteto/Urbanista | mestre em planejamento para o desenvolvimento local | especialista em mobilidade urbana | Time do coração: CRB-AL

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