Eleições 2012

Navegando pela net achei um interessante artigo de Frei Betto. O texto está em espanhol, assim que eu farei uma tradução livre de alguns trechos.

(…) O teor das opiniões (em época de eleições) varia desde discursos para desqualificar toda a árvore genealógica do candidato até venerações acríticas de quem o julga perfeito (…) Um terceiro grupo insiste em se manter indiferente ao período eleitoral, argumentando, no entanto, que todos os candidatos são corruptos, mentirosos, aproveitadores e/ou demagogos.

Não há saída: todos estamos sujeitos ao Estado. E este é governado pelo partido vitorioso nas eleições. Por isso ficar indiferente é o mesmo que entregar um cheque em branco, assinado e de valor ilimitado, a quem governa. Governo e Estado são indiferentes à nossa indiferença e a nossos protestos individuais.

É compreensível que alguém não goste de ópera, futebol, ou da cor marrom. Ou até mesmo de política, mas é impossível ignorar que todos os aspectos de nossa existência, desde o primeiro ao último suspiro, estão relacionados com a política.

A classe social que nasceu cada um de nós está relacionada com a política imperante no país. Se houvesse menos injustiça e mais distribuição da riqueza ninguém nasceria na miséria.

Somos controlados desde o nascimento até a morte. Ao nascer, o registro pertence ao Ministério da Justiça; ao sermos vacinados ao da Saúde; ao entrar na escola ao de Educação; se temos um emprego ao do Trabalho; ao ter uma casa, ao Ministério das Cidades; ao nos aposentarmos ao da Previdência Social; ao morrer voltamos ao da Justiça. E nossas condições de vida, tais como o salário e a alimentação, dependem dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento.

Em tudo está a política. Para o bem ou para o mal. A política se faz presente até no calendário. Não havia percebido ainda? Dezembro, último mês do ano, deriva do número dez; novembro do nove, outubro do oito, setembro do sete. Antes o ano tinha dez meses. O imperador Júlio César decidiu aumentar um mês em sua própria homenagem e acrescentou julho ao calendário. Seu sucessor, Augusto, não quis ficar para trás e acrescentou agosto. Como os meses se sucedem alternando 30/31 dias, Augusto não admitiu que seu mês tivesse menos dias que o de seu antecessor e obrigou aos astrônomos da corte que equiparassem julho e agosto em 31 dias. E eles não se fizeram de rogados: tiraram um dia de fevereiro e resolveram a questão(…)

[Tal atitude lembra alguma coisa em nossos tempos?]

(…) O Brasil é o resultado das eleições de outubro. Para melhor ou para pior. E os que governam são escolhidos pelo voto de cada eleitor.

Faça como o Estado: deixe de lado a emoção e pense com a razão. As instituições públicas são movidas pelos políticos e outras pessoas designadas por eles. Todos os funcionários são nossos empregados. Devem nos prestar contas. Temos o direito de cobrar, exigir, reivindicar, e eles têm o direito de responder a nossas expectativas.

A autoridade é a sociedade civil. Exerça-a. Não dê seu voto aos corruptos nem se deixe enganar pela propaganda eleitoral (que tenta nos fazer pensar que só há uma ou duas opções e que não temos o direito de votar no candidato que mais acreditamos, mas sim no “menos pior”). Vote pensando em um futuro melhor para seu município. Vote a favor da justiça social, da qualidade de vida da população, da cidadania plena.

Analise as propostas dos candidatos. Escolha! Vote! Exerça seu direito!

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Em itálico, observações minhas.

Para ver o texto original do Frei Betto clique aqui.

Nascido em Maceió-AL, Brasil | 33 anos Arquiteto/Urbanista | mestre em planejamento para o desenvolvimento local | especialista em mobilidade urbana | Time do coração: CRB-AL

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