Evolução da frota de Maceió

A frota de Maceió apresenta uma curva de crescimento constante, porém em declínio nos últimos 5 anos. Ou seja, a frota cresce sempre, mas cada vez menos. É difícil prever como ela estará daqui a 10 anos, visto que muitos fatores incidem sobre esta questão, como os diversos incentivos à indústria automotiva e à compra de automotores, os investimentos em infraestrutura viária, em detrimento dos investimentos em um sistema de transporte integrado e multimodal, a precariedade do transporte público coletivo, os baixos investimentos em infraestrutura para a circulação de pedestres e de ciclistas, e a consequente manutenção da cultura do automóvel.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É bem verdade que estamos passando por um processo de transformação, de mudança de paradigmas. Muitos países pelo mundo já mudaram as suas estratégias para a mobilidade urbana, investindo cada vez mais em transporte coletivo e não motorizado, outros estão iniciando esse processo. No Brasil, em 2012, foi publicada a Lei 12.587/12 que trata da Política Nacional de Mobilidade Urbana e no ano passado, o tema da mobilidade foi um dos mais marcantes nas manifestações populares que tomaram as ruas do país. Nos últimos anos têm sido anunciados diversos projetos e investimentos em mobilidade urbana por diversas instâncias do poder público, mas isto ainda não se refletiu em mudanças substanciais em nossa realidade.

Há uma tendência em alguns países do mundo de os jovens se interessarem cada vez menos pelo automóvel, devido aos problemas relacionados aos congestionamentos e custos de comprar e manter um veículo, por exemplo. Está cada vez mais claro que a relação custo-benefício do automóvel não é tão atrativa quanto a indústria automotiva, e segmentos ligados a ela, tentaram (e tentam) nos convencer.

O próprio crescimento da frota e a intensificação dos congestionamentos contribui para que a curva de crescimento seja cada vez menor, até a estabilizarmos e, possivelmente, começarmos a diminuir a frota. Se os investimentos previstos em transporte coletivo em Maceió (duplicação da Av. Menino Marcelo e implantação de um sistema BRT, implantação de um VLT na F. Lima/D.G.Monteiro, dentre outros) se consolidarem, promovendo um avanço na qualidade do mesmo, outro fator contribuinte será agregado. O período de 10 anos (até 2023), no entanto, parece ser bastante curto para que os reflexos destas obras de infraestrutura sejam sensíveis no que diz respeito a mudanças na tão consolidada cultura do automóvel.

Contudo, vale destacar que a quantidade de veículos, em si, não configura, necessariamente, um problema para as cidades, mas sim a necessidade de que eles sejam utilizados para os deslocamentos diários. Muitos países conseguem conciliar altos índices de motorização à qualidade na mobilidade e do espaço urbano. Isto porque, eles oferecem a oportunidade de os veículos automotores serem utilizados como escolha, e não como única alternativa.

Crescimento da frotaSe o cenário não mudar consideravelmente, se seguirmos priorizando os meios individuais de transporte, teremos sérios problemas nos próximos anos. Se adotarmos a média de crescimento (em %) da frota de Maceió nos últimos 3 anos (8,92% ao ano), chegaríamos a 2023 com absurdos 626 mil veículos (626.344). O equivalente à frota de todo o estado atualmente. Se adotarmos a porcentagem de crescimento de 2013 (7,78%), chegaremos a quase 620 mil veículos (619.788).

Em um cenário mais problemático, porém muito pouco provável, adotando a média de crescimento dos últimos 12 anos, ultrapassaríamos a casa dos 640 mil veículos. Por outro lado, em um cenário mais otimista, se considerarmos o declínio nos últimos 5 anos na porcentagem de crescimento e adotarmos esse declínio como uma constante, chegaríamos a 2023 com uma frota composta por pouco mais de 390 mil veículos (390.812). Para chegar a esse número adotei um decréscimo médio de -0,13% na taxa de crescimento anual. Desta forma, chegaríamos a 2023 com uma taxa de crescimento, em relação a 2022, de apenas 1,93%.

Ainda assim, neste cenário mais positivo, teríamos em 10 anos mais de 160 mil veículos adicionados à frota da capital alagoana.

Em resumo, dependendo de uma série de fatores, como os já citados, além de outros, em 2023 poderemos ter uma frota entre 390 mil e 620 mil veículos, o que configura uma grande margem entre uma e outra estimativa. Eu apostaria em algo no meio termo entre esses dois cenários, uma vez que é extremamente difícil estimar como se dará o processo de crescimento da frota nos próximos anos, ou seja, algo em torno de 500 mil veículos. O dobro de nossa frota atual.

 

 

Nascido em Maceió-AL, Brasil | 33 anos Arquiteto/Urbanista | mestre em planejamento para o desenvolvimento local | especialista em mobilidade urbana | Time do coração: CRB-AL

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