Cinto de segurança. Por que você deve usar?

cinto

A morte do cantor sertanejo Cristiano Araújo, na última semana, colocou em destaque, mais uma vez, a questão do uso do cinto de segurança no país.

Instrumento imprescindível para a segurança de quem se desloca dentro de um veículo automotor, ele é muito usado nos bancos da frente, mas ainda negligenciado nas posições de trás dos veículos.

Pesquisas apontam que mais de 90% dos brasileiros utilizam o cinto nos bancos da frente, mas menos da metade o fazem quando se trata dos bancos de trás. Há estudos que apontam que a proporção seria de 50% das pessoas, mas outros indicam que ela seria de apenas 7%, 20%, ou ainda 40%. Divergência de dados à parte, o fato é que o brasileiro ainda não internalizou a importância do uso do cinto em qualquer posição dentro do veículo e, em decorrência disto, muitas pessoas seguem morrendo ou sofrendo sequelas importantes em acidentes de trânsito.

Algumas razões podem explicar este panorama. A principal delas é a falta de percepção do risco.

“Comigo não!”

Muita gente acredita que está livre do risco de sofrer um acidente, confiando cegamente em sua destreza ao volante e esquecendo que todos estão sujeitos a cometer erros ou serem vítimas de erros dos outros. Além do que, há sempre a possibilidade de problemas mecânicos  nos veículos ou outros fatores externos que fogem do controle do condutor. Há, inclusive, uma famigerada frase dita por muitos condutores quando um passageiro senta no banco de trás do carro e coloca o cinto: “tá com medo é?”

O carro como armadura

Outras pessoas têm a falsa impressão de que a estrutura de metal do automóvel possui a capacidade de proteger os seus ocupantes, no caso de eventuais acidentes, absorvendo o impacto satisfatoriamente. O que não é, nem de longe, a realidade.

“Eu vou devarzinho, bem ali”

Há quem acredite que o cinto não precisa ser usado quando se faz um percurso curto ou em baixa velocidade. Perigoso engano! Muitos acidentes ocorrem há poucos quilômetros da casa dos envolvidos e mesmo em baixa velocidade um acidente pode ser fatal. Para se ter uma ideia, uma pessoa de 50kg, dentro de um veículo a apenas 50km/h, pode provocar um impacto equivalente a 1,2 toneladas. Exatamente por isso é impossível segurar uma criança com a força dos próprios braços, ao contrário do que algumas pessoas acreditam.

A tal falta de percepção do risco, faz com que pessoas não usem o cinto, expondo não só elas mesmas ao perigo, mas todos os que se encontram dentro do veículo. Após um acidente, uma pessoa eventualmente solta no carro pode matar as outras que, mesmo estando com o cinto, estão sujeitas a sofrerem lesões gravíssimas com o impacto entre os corpos.

A propósito, há pelo menos 4 distintos tipos de choques em um acidente:

1- Do veículo com algum outro objeto (outro carro, um poste, uma pessoa…)

2- Da pessoa dentro do veículo contra as partes internas do mesmo (se estiver solta) ou contra o dispositivo de retenção

3- Dos órgãos internos das pessoas com a estrutura de seus  corpos

4- Entre as pessoas – este choque é fundamentalmente perigoso quando pelo menos uma pessoa não está usando o cinto

Se alguém estiver sem cinto pode ser projetado para fora do veículo e, consequentemente, sofrer outros impactos (com objetos fixos, contra o solo, contra outros veículos…)

Mitos em relação ao cinto

Em colisões laterais o cinto de segurança não funciona/prejudica o usuário.

Embora o cinto não seja tão eficiente na proteção em colisões laterais quanto em colisões frontais ou traseiras, ele reduz, segundo a OMS, o risco de morte em 27% no caso de colisões laterais do lado do condutor e em 39% se for no lado oposto.

O cinto pode travar e prender a pessoa após um acidente, dificultando a saída do veículo.

De fato, o cinto pode travar em algumas ocasiões, mas isto não é justificativa para o não uso do cinto.

“A morte por incineração ou afogamento são responsáveis por menos de um décimo de um por cento dos traumas relacionados com veículos automotores. A maioria dos passageiros que são ejetados para fora dos carros morrem e a maioria desses são lançados para fora através do pára-brisa.” (Instituto de Ortopedia e Fisioterapia)

A importância do uso do cinto

O uso do cinto de segurança pode reduzir em 60% o risco de traumas em coluna e 40% no tórax e abdômen. Reduz o risco de morte em 45% nas posições da frente e em 75% nos passageiros dos bancos de trás (ABRAMET). Ele reduz a probabilidade de você morrer e/ou matar.

O não uso do cinto é caracterizado como infração grave, com o custo de 127 reais e a perda de 5 pontos na CNH para quem a cometer, mas isso não é importante. Infrações podem ser pagas e pontos na carteira são eliminados com um ano do cometimento da infração.

Sua vida e a das pessoas que estão com você no carro, no entanto, não têm preço.

Pense nisso.

Use SEMPRE o cinto de segurança.

 

 

 

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