Teoria dos hólons e mobilidade urbana

As bicicletas, os carros, os ônibus e os pedestres, são como hólons, mas o que, afinal é isto?

O conceito de hólon, concebido pelo escritor húngaro Arthur Koestler, refere-se a duas tendências naturais de todas as entidades, das moléculas aos seres humanos:

– Tendência integrativa: quando nós, por exemplo, nos integramos a grupos, da família à ideia de sociedade. Relaciona-se com a ideia de dependência e integração.

– Tendência auto-afirmativa: enquanto figuras individuais, diferenciadas dos nossos semelhantes, com nossas particularidades. Relaciona-se com a ideia de autonomia e indivualidade.

Ou seja, somos parte de um todo maior, mas também somos um todo em si, individualmente.

O conceito de hólon está relacionado a esta interdependência natural entre estas duas tendências. Há equilíbrio quando ambas estão em harmonia.

Nosso organismo pode ser vislumbrado de acordo com esse conceito. O coração, por exemplo, é um órgão de fundamental importância (um todo), mas apenas parte do nosso sistema circulatório que é composto por outras partes.

Agora, vamos enfim para a relação deste conceito com o tema da mobilidade urbana.

É ponto pacífico que muitas cidade no mundo, sobretudo as que se localizam nos países menos desenvolvidos, enfrentam uma importante crise no que diz respeito aos deslocamentos das pessoas pelo espaço urbano. Congestionamentos, poluição, acidentes, fragmentação socioespacial e o baixo nível de eficiência do espaço público são alguns dos indicadores que ilustram esta crise.

Crise, em grego, é definida como “momento de decisão” e em chinês, pelos caracteres “perigo” e “oportunidade”.

Estamos, de fato, em um momento de extremo perigo em diversos aspectos relacionados à mobilidade, mas temos a oportunidade de mudar. Só precisamos decidir que tipo de cidade queremos para os próximos anos e lutar por ele.

É ponto pacífico também, que os modos de transporte mais eficientes e inteligentes para a cidade são os coletivos e os não motorizados. É preciso, portanto, investir esforços no sentido de potencializar o alcance destes modais, agregando qualidade aos mesmos e atraindo cada vez mais pessoas a os utilizarem.

A bicicleta é um meio de transporte muito eficiente, pois não polui, tem baixo custo de aquisição e manutenção, baixo impacto na infraestrutura viária, é um modal porta a porta e ainda possibilita a prática de exercícios.

No entanto, ela não é, definitivamente, a solução para os problemas da mobilidade de forma isolada. Em copenhagen, quase 40% dos deslocamentos para trabalho ou escola são feitos com bicicleta. É muita coisa, e há de se buscar cenários similares no intuito de melhorar a mobilidade e a qualidade de vida das pessoas nas cidades, mas é preciso entender que a cidade precisa oferecer aos cidadãos um sistema de mobilidade, onde partes se integram para formar o todo.

Jamais se deve supervalorizar uma parte do sistema. Cada parte tem sua importância, mas precisa estar integrada às outras partes.

Em cidades médias e grandes o transporte coletivo é fundamental. Os deslocamentos a pé são sempre muito recorrentes e o automóvel cumpre a sua função.

 

É por este, dentre outros motivos, que não gosto da abordagem do filme recém lançado “bike x carros”, mas este é um assunto para a próxima postagem…

 

1 Comentário

  1. Hosting Deutschland

    2 de setembro de 2016 no 11:35

    A dimensao assumida por esses aglomerados, cujo crescimento foi ao longo do seculo XX ilimitado, e um dos aspectos mais evidentes dessa nova relacao entre tempo e espaco. Consequentemente, deslocar-se e hoje uma das mais decisivas e atuais reivindicacoes de todos que vivem nessas metropoles. A mobilidade urbana tornou-se um dos atributos centrais do denominado “direito a cidade” na sua vertente mais contemporanea.

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