DMSC e o dilema da Av. Dep. José Lages

Todos os anos, no dia 22/09, é celebrado o Dia mundial sem carro. Um momento para realizar atividades que coloquem em discussão o modelo de mobilidade focado no automóvel. Não só neles, na realidade, mas nos meios de transporte individuais motorizados. Nos países em desenvolvimento os veículos de duas rodas ganham cada vez mais espaço, devido a má qualidade do transporte coletivo, dentre outros fatores. Esta falta de qualidade incentiva as pessoas a buscarem, na primeira oportunidade, a migração para meios individuais, que são menos sustentáveis e seguros.

Este ano um conjunto de entidades do poder público (Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito e Detran-AL) e da sociedade civil, como a Faculdade Maurício de Nassau e a ONG Instituto Ideal, realizou atividades na Av. Dep. José Lages, fechando parte do espaço para os automotores e dedicando-o às pessoas. Foi montada uma estrutura com Food trucks, equipamentos para brincadeiras, dinâmicas com crianças e jogos (como o xadrez). Além disso, foram montadas algumas vagas vivas ao longo da avenida com o objetivo de ocupar temporariamente uma vaga de estacionamento com atividades estacionárias voltadas para as pessoas, como leitura, conversas, pique-nique e relaxamento. Pessoas se aproximaram com suas bicicletas, skates ou andando.

Ciclistas de Maceió, participantes dos movimentos Bicicletada e Bike Anjo, promoveram uma “bicicleata”, um percurso com bicicletas adaptadas, com armações em bambu montadas sobre a estrutura da bicicleta, para simular o espaço ocupado por um carro. O percurso acabou na avenida que atualmente é símbolo da luta pela democratização do espaço, pois recentemente a justiça determinou a interrupção da implantação de ciclofaixas que haviam sido inciadas pela prefeitura. A “justificativa” é a de que deveriam ter sido feitos estudos de impactos e audiências públicas. O que não é verdade, visto que o município tem autonomia para gerir a estrutura viária e a implantação de infraestrutura para modais não motorizados é amparada por legislações diversas, como o Estatuto da Cidade e a Política Nacional de Mobilidade Urbana.

O Dia mundial sem carro este ano proporcionou maior impacto do que no ano passado e ampliou o seu alcance no intuito de promover o debate em torno da mobilidade urbana sustentável e democrática, mas é preciso que haja mais e mais ações como essas, maior envolvimento da sociedade e mais debates em torno do tema para que seja possível quebrar preconceitos, gerar conhecimento que vá além do senso comum e mudar paradigmas.

Que o próximo 22/09 seja maior e mais significativo.

Que todos os dias sejam um pouco vinte e dois de setembro.

 

 

 

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